Este estudo da autoria de Aurora Teixeira, docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e Coordenadora da Unidade de Inovação e Transferência de Tecnologia do INESC Porto, teve por objectivo compreender as atitudes dos estudantes em relação à criação de novas empresas. Concluiu que apesar de mais de 70% dos inquiridos se sentirem atraídos pela ideia de criar o seu próprio negócio e de 35% ver na criação de um negócio uma provável opção profissional após conclusão dos seus estudos, os estudantes têm uma elevada aversão ao risco, níveis de criatividade relativamente baixos e baixo conhecimento do processo empresarial - poucos compreendem o tipo de assuntos com que um empreendedor é confrontado quando leva uma ideia para o mercado, como se criam planos e conceitos de negócios, quais são as técnicas que ajudam a perceber o que o mercado necessita, ou mesmo como financiar legalmente um novo conceito de negócios.
Empreendedor é aquele que tem paixão, entusiasmo, iniciativa e persistência, alguém que consegue identificar o potencial numa ideia e que está disposto a arriscar num novo projecto. É assim que os estudantes do ensino superior (de licenciatura e pós-graduação) inquiridos definem o perfil de um empreendedor, características que neste estudo aparecem personificadas, de acordo com a opinião dos estudantes, por algumas figuras nacionais (Belmiro de Azevedo, Joe Berardo e Américo Amorim) e internacionais (Bill Gates, Steve Jobs, Richard Branson). Em termos de empresas empreendedoras os 'modelos' mais referidos incluem Sonae, Martifer, Portugal Telecom e Ydreams, em termos nacionais, e a Microsoft, Google, Apple e IKEA, ao nível externo.
Este estudo revela ainda que as intenções empreendedoras entre os estudantes portugueses de ensino superior são consideráveis (35%), sendo a taxa de empreendedorismo efectivo em sentido estrito (criação de empresas) de 6.4% - semelhante à encontrada num estudo sobre estudantes de Singapura; e a taxa de empreendedorismo efectivo em sentido lato (criação de empresas ou ter já iniciado passos para criar novo negócio) de 11.6%.
A ausência de uma capacidade para arriscar impele os estudantes para um trabalho por conta de terceiros, ao passo que possibilidades de realização pessoal e independência são factores para a preferência pela criação de um negócio. Para os estudantes, o empreendedorismo poderia ser estimulado se as escolas os colocassem em contacto com a rede necessária para criar um negócio e se pusessem os alunos empreendedores em contacto si.
De acordo com este estudo, os estudantes com maior propensão para o empreendedorismo encontram-se inscritos nas áreas de Economia e Gestão; em situação exactamente oposta encontram-se os estudantes da área de Saúde.
No que respeita às instituições de ensino, e referindo Universidades públicas, a Universidade Nova de Lisboa destaca-se ao nível do empreendedorismo efectivo e a Universidade Técnica de Lisboa ao nível das intenções empreendedoras. No grupo das Universidades Privadas, a Universidade Portucalense surge numa posição cimeira, qualquer que seja o tipo de empreendedorismo considerado. Ao nível dos Institutos Politécnicos e Escolas Públicas, os Institutos Politécnicos de Setúbal e do Cávado e do Ave dominam respectivamente, no empreendedorismo efectivo e nas intenções empreendedoras. No conjunto dos Institutos e Escolas Privadas, o ISLA (empreendedorismo efectivo) e a Escola Superior Artística do Porto (intenções empreendedoras) emergem nas posições cimeiras.
Este estudo teve como público-alvo todos os estudantes inscritos no ensino superior em Portugal. Foram analisadas 4.413 respostas válidas.
CiênciaPT.net, 24 de Outubro de 2008
24 outubro 2008
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