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Artigo

INESC TEC é a instituição portuguesa com maior número de pedidos de patente europeia

O mais recente estudo do European Patent Office (EPO), “O desafio da transferência de tecnologia na Europa: transformar a investigação em sucesso comercial”, coloca o INESC TEC na liderança do número de pedidos de patentes entre as organizações portuguesas, com 14 pedidos registados, cinco delas em cotitularidade com a U. Porto. O trabalho da instituição nesta área tem sido consolidado ao longo dos anos. Desde 2017 que o INESC TEC tem tido uma presença sólida no top 10 nacional, chegando, no ano passado, ao terceiro lugar no ranking geral.

22 outubro 2026

Os dados deste novo painel colocam a Universidade do Porto em segundo lugar, com 13 pedidos de patentes, e a Universidade de Coimbra em terceiro, com 11. A Universidade NOVA de Lisboa (10) e a Universidade de Aveiro (9) completam os cinco primeiros lugares. Entre as principais áreas tecnológicas abrangidas pelos pedidos de patente destas instituições destacam-se as tecnologias informáticas, a engenharia, a biotecnologia e as tecnologias médicas.

Daniel Vasconcelos, responsável pelo Gabinete de Transferência de Tecnologia (TTO) do INESC TEC, explica que se tratam de pedidos de patente em áreas como a fotónica e sensoriazação avançada, a saúde digital, energia limpa e smart grids, e a robótica, visão por computador, e digital twins e refere que “estas patentes, enquanto direito de propriedade, trazem confiança ao investimento nas várias dimensões por parte dos parceiros necessários para continuar o caminho desde o laboratório até ao “mundo real”. O foco no impacto e a forma como organizações como o INESC TEC, os RTOs, estão organizados tornam a gestão de propriedade intelectual mais eficiente, do qual fazem parte a proteção por patente com orientação internacional”.

A ferramenta Deep Tech Finder (DTF) da Organização Europeia de Patentes (OEP) foi também alargada com dados adicionais sobre instituições públicas de investigação europeias, contribuindo para reforçar as ligações entre instituições de investigação, empresas e investidores. Os dados do DTF revelam que Portugal ocupa a 15.ª posição na Europa em número de spin-offs[1] de investigação que apresentam pedidos de patente junto da OEP, estando identificadas 53 spin-offs portuguesas nesta ferramenta. Destas, 42 (79,2%) encontram-se numa fase inicial de crescimento, procurando transformar as suas tecnologias em produtos prontos a entrar no mercado e assegurar financiamento para expandir as suas operações. Outras três empresas (5,7%) encontram-se numa fase de expansão acelerada (breakout stage), duas (3,8%) atingiram uma fase avançada de crescimento e seis (11,3%) foram adquiridas por empresas de maior dimensão.

Também aqui o INESC TEC tem tido um papel preponderante, contando já com sete spin-offs no portfolio. “As spin-offs são o tipo de organização em que mais facilmente se consegue concentrar talento, tecnologia de excelência com uma estratégia de propriedade intelectual adequada, dinheiro e um bom plano para envolver parceiros e chegar a clientes”, explica Daniel Vasconcelos, reforçando que “através delas o impacto social é maximizado pois além das disponibilização efetiva da tecnologia sob a forma de um produto ou serviço, falamos de postos de trabalho altamente qualificados, robustecimento das cadeias de valor regionais, nacionais e europeias, colaboração na perseguição de novos desafios científicos e construção de um verdadeiro ecossistema de inovação”

Perfil europeu e desafios internacionais

De uma forma global, dos 809 gabinetes de transferência de tecnologia analisados, 90,5% são de pequena ou média dimensão, enquanto apenas 9,5% são de grande dimensão.

As patentes com participação de universidades representam cerca de 9% das patentes europeias, um valor próximo do registado nos Estados Unidos. Atualmente, as universidades europeias são também titulares de uma percentagem muito superior das suas invenções face ao que se verificava há 20 anos. No entanto, 40,7% das patentes detidas pelas universidades europeias deixam de estar em vigor nos primeiros dez anos, face a 26,3% nos Estados Unidos.

Para além disso, os pedidos de patente europeia que envolvem universidades, organizações públicas de investigação ou hospitais de investigação mais do que duplicaram nas últimas duas décadas, passando de cerca de 3.200, em 2006, para quase 8.000, em 2025. A Alemanha, a França e o Reino Unido continuam a liderar, mas a sua quota conjunta diminuiu de quase 64% para cerca de 55%.

Em 2025, as instituições de investigação figuravam como requerentes em cerca de 34% dos pedidos de patente europeia de origem europeia na área da biotecnologia, 29% nas tecnologias quânticas e 26% na indústria farmacêutica.

O estudo, elaborado em colaboração com a ASTP, a Associação Europeia de Profissionais de Transferência de Tecnologia, e o Fraunhofer ISI, combina a análise de patentes com os resultados de um inquérito realizado a mais de 800 gabinetes de transferência de tecnologia europeus. Analisa a forma como as universidades e os organismos públicos de investigação transformam os resultados da investigação em inovação, empresas e impacto societal, e identifica prioridades fundamentais para reforçar a transferência de tecnologia e a comercialização da investigação na Europa.