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Artigo

INESC TEC apresenta tecnologias para as áreas da saúde, mar, indústria, energia e media

Os três projetos tinham como objetivo a investigação científica multidisciplinar para explorar várias áreas do conhecimento gerando assim tecnologias transversais de largo espectro.

28 junho 2019

Os resultados dos projetos vão ao encontro da "estratégia regional de especialização inteligente" definida pelo Norte 2020 e cujo objetivo assenta no reforço das "capacidades da região na investigação científica, no desenvolvimento tecnológico e na inovação", explica Luís Seca, administrador executivo do INESC TEC.

A sessão de encerramento

Foram oito as tecnologias, com aplicações nas áreas da saúde, mar, indústria, energia e media que estiveram em mostra no dia 28 de junho.

Tecnologias para análise de células e estruturas sub celulares nanométricas, sensores de CO2, ferramentas para auxiliar na circulação oceânica, ferramentas de inteligência artificial e visão por computador para anotações de conteúdo multimédia, tecnologias de realidade aumentada, tecnologias para carregamento de veículos elétricos ou ferramentas de auxílio aos radiologistas na reconstrução mamária foram algumas das tecnologias que estiveram em exposição.

Para os investigadores envolvidos, estes projetos foram um desafio no que diz respeito à exploração de diferentes áreas de conhecimento.

Um desses exemplos é o Fashion.Finder. “Na tecnologia Fashion.Finder desenvolvemos ferramentas, com recurso a técnicas de inteligência artificial, visão por computador e crowdsourcing, que permitem identificar elementos e acessórios de moda em conteúdos audiovisuais, como fotografias e vídeos de campanhas fotográficas de moda, desfiles, etc.”, explica Paula Viana, investigadora do Centro de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC (CTM) responsável pela linha FourEyes do projeto TEC4GROWTH.

Mas não só na indústria da moda tem aplicação o Fashion.Finder. A tecnologia pode ser também adaptada a áreas como o fotojornalismo, conteúdos noticiosos ou de eventos, permitindo por exemplo a identificação de personalidades em material de arquivo que possa ser reutilizado, e otimizando assim todo o processo de criação de novos materiais audiovisuais em tempos curtos, como é normalmente o requisito em ambiente jornalístico. 

Foram também várias as tecnologias apresentadas na área da saúde. Desenvolvido no âmbito do projeto NANOSTIMA, o Intelligent Lab on Fiber (iLoF), tinha como objetivo desenvolver um método capaz de tornar uma fibra ótica num biossensor, recorrendo a técnicas de processamento de sinal e de inteligência artificial, de modo a explorar parâmetros-chave provenientes da interação de células e estruturas sub celulares com a luz de um laser e, através desses padrões, obter informações de diagnóstico e prognóstico.

“O iLoF, que já tem uma patente registada e pendente, pode contribuir futuramente para o desenvolvimento do conceito de Medicina Personalizada, particularmente na área do cancro e das doenças neuro degenerativas, contribuindo para a obtenção de “assinaturas biológicas” específicas de cada doença em fluídos biológicos (ex. plasma do sangue) de uma forma simples, rápida, não invasiva e de baixo custo. Tendo acesso a esta base de dados de “impressões digitais óticas” dos vários bio marcadores (células, nano-vesículas) diversos estudos poderão ser conduzidos, incluindo a previsão do prognóstico de uma determinada doença ou a definição de subtipos de doenças dentro de um tipo mais geral”, refere João Paulo Cunha, coordenador do Centro de Engenharia Biomédica do INESC TEC.

Ainda na área da saúde, uma das tecnologias que esteve em mostra, desenvolvida em colaboração com a Fundação Champalimaud e também com um pedido de patente já submetido, tem como objetivo auxiliar os radiologistas na deteção e caracterização dos vasos perfurantes epigástricos inferiores, relevantes no planeamento de cirurgias de reconstrução mamária.

Ricardo Araújo, investigador do CTM explica que “os resultados alcançados mostram que é possível automatizar grande parte de um processo bastante moroso para a equipa de radiologia, sem comprometer a precisão dos relatórios produzidos. Além disso, o uso destes algoritmos permite obter resultados mais objetivos, culminando num processo de caracterização das redes vasculares mais reprodutível. Acreditamos que isto liberte uma porção significativa do tempo despendido pelos radiologistas para outras tarefas que precisem de executar, e que reduza o número de ocasiões em que a caracterização efetuada não seja precisa (devido à subjetividade por exemplo) e leve à necessidade de reformular o plano para extração de tecido durante a cirurgia”.

Antes de todos se dirigirem para a mostra tecnológica para ver e testar as tecnologias disponíveis, João Claro, presidente da comissão executiva do INESC TEC, Fernando Freire de Sousa, presidente da CCDR-Norte, João Falcão e Cunha, diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Pedro Rodrigues, vice-reitor da Universidade do Porto, fizeram o encerramento formal dos projetos integrados. 

Financiamento e parceiros

Os projetos "TEC4Growth - Pervasive Intelligence, Enhancers and Proofs of Concept with Industrial Impact/NORTE-01-0145-FEDER-000020", “NanoSTIMA- Macro-to-Nano Human Sensing: Towards Integrated Multimodal Health Monitoring and Analytics/NORTE-01-0145-FEDER-000016” e “CORAL- Sustainable Ocean Exploitation: Tools and Sensors/NORTE-01-0145-FEDER-000036” são financiados pelo Programa Operacional Regional do Norte (NORTE2020) através do Portugal 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Os parceiros projeto do Projeto CORAL são o CIIMAR e o INESC TEC. Já o NANOSTIMA tem como parceiros, além do INESC TEC, o CINTESIS, a FMUP, o IT, o CIDESD. O Centro Hospitalar de São João, a FMUP, o IBMC, a Fundação Champalimaud, a Universidade de Wisconsin e o HUC são parceiros associados do NANOSTIMA, que tem ainda a Amkor Technology, a Biodevices e a Nanium como consultores.

Os investigadores do INESC TEC mencionados na notícia têm vínculo ao INESC TEC, à UP-FEUP e ao IPP-ISEP.