O Stamina é um robô desenvolvido em Portugal e que pretende automatizar a tarefa de picking, uma espécie de ida às compras nos armazéns que
acontece muito nas linhas de montagem de automóveis. O robô com "sangue
luso" pretende melhorar a organização na produção e armazenamento de
componentes na indústria automóvel. Segundo o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), entidade
portuguesa envolvida no desenvolvimento do Stamina, o objectivo é
melhorar os índices de automação abaixo dos 30% que se registam de
momento no sector automóvel e em relação a estas operações em
particular.
Este é um sistema robótico com sensorização avançada que mudará a
perspectiva que se tem sobre os robôs actuais que só conseguem trabalhar em ambientes em que tudo tenha uma ordem específica, ficando
"desorientados quando algo sai da norma". O robô recorre a lasers e
câmaras para reconhecer o espaço em que se movimenta, enquanto um braço
robótico integrado pode ser utilizado em diversas tarefas de
manuseamento.
«O robô Stamina está focado nesta operação, é ele que faz esta recolha
no "supermercado", no armazém onde estão as peças, e depois faz a
entrega na linha. Como estes supermercados foram desenhados para
pessoas, trata-se de um desafio tecnológico porque é preciso que o robô
tenha perceção, que saiba localizar, ir buscar e agarrar as peças que
pretende, mas em traços gerais é este o desafio do robô Stamina»,
decreveu Germano Veiga, um dos investigadores responsáveis pela criação
do Stamina, e membro do Centro de Robótica Industrial e Sistemas
Inteligentes do INESC TEC , à Rádio Comercial.
Apesar de ter sido «bem recebido» na Alemanha, o Stamina ainda não está
oficialmente pronto: «Ainda vai ser melhorado. Vamos fazer o teste final na fábrica no início do próximo ano. Ainda há caminho a percorrer,
especialmente para tornar o sistema mais robusto e aumentar a sua
performance», afirma o investigador português.
O Stamina está a ser desenvolvido desde 2013 por um conjunto de sete
instituições e o INESC TEC que também apresentou na Automatica outros
dois robôs do projecto europeu SMERobotics, juntamente com mais duas
empresas portuguesas, SARKKIS Robotics e NORFER. O projeto SMERobotics
enquadra-se na Iniciativa Robótica Europeia para o Fortalecimento
Competitivo das PME na Indústria de Produção e tem como objectivo
concretizar a robótica cognitiva num segmento chave para a Europa: a
Indústria de Produção.
Sobre a perspetiva de o crescimento dos robôs estar a ameaçar postos de
trabalho, Germano Veiga diz que não há razão para alarme: «Há cinco ou
seis milhões de máquinas de vending só no Japão e essas é que roubam
emprego. Mas o termo robô ainda tem um peso grande».
Rádio Comercial, 28 de junho de 2016
28 junho 2016
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