A Tomorrow Options - Microelectronics S.A., o novo "spin-off" do INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, Laboratório Associado), apresenta agora o seu primeiro produto, que recolhe dados sobre a distribuição do peso do corpo na planta do pé e sobre a mobilidade, caracterizando os movimentos dos pacientes.
Paulo Santos, director da empresa, explicou ao JN o conceito do dispositivo. A ideia da sua criação surgiu após a verificação das tecnologias existentes no mercado, que eram direccionadas para a avaliação da mobilidade de amputados dos membros inferiores. E também pela percepção de que os únicos dispositivos que existiam para o pé diabético eram muito caros e só funcionavam em laboratórios.
"Durante a pesquisa, verificámos que esta doença apresenta, só em custos directos, mil milhões de dólares (cada amputação ascende a 30 mil a 40 mil dólares). Sabemos também que três anos após uma amputação é usual verificar-se uma segunda", disse o investigador.
Por outro lado, "cerca de 80% dessas amputações podem ser evitadas. A questão é avaliar e tratar antes do surgimento de uma complicação mais grave", acrescentou.
Essa avaliação é que era difícil, porque "os diabéticos têm problemas circulatórios, neuropatias (perda de sensibilidade) e deformações ósseas, que levam ao stress em determinadas partes da planta dos pés, que não são tratadas porque não são sentidas". A acrescentar a estas dificuldades, os diabéticos não conseguem ver os pés, ou porque são obesos ou porque a doença já provocou cegueira, dependendo totalmente da observação médica. O WalkinSense, único no Mundo, pretende ultrapassar todas estas questões.
"O dispositivo é composto por sensores, que o médico coloca nas palmilhas do doente. Os sensores permitem uma monitorização em tempo real, porque armazena e processa os dados para o médico avaliar, tendo em conta o quotidiano do doente, sem o limitar a um laboratório", sublinhou Paulo Santos.
Os ensaios clínicos vão decorrer no Hospital de Santo António, no centro norte-americano Clear, "Center for Lower Extremity Ambulatory Research", e na clínica britânica Diabetic Foot Clinic (Bristol Royal Infirmary).
"A receptividade que temos tido dos especialistas que trabalham na diabetes tem sido extraordinária", referiu Paulo Santos, adiantando que o dispositivo poderá ser comercializado em Fevereiro ou Março de 2008.
Os custos de cada produto deverão rondar os 2000 a 2200 euros, "uma quantia muito inferior à que se paga quando se atingem as complicações mais graves provocadas pela doença, como as úlceras e as amputações".
O projecto, que tem como investigadores originais Paulo Santos e Catarina Monteiro, conta ainda com a colaboração de Miguel Velhote Correia e Sérgio Reis Cunha, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Um outro accionista da empresa é o INESC Porto, onde ficou sediada a Tomorrow Options -Microelectronics S.A.
"A colaboração do INESC Porto é uma alavanca para o projecto. Facilita o desenvolvimento na área tecnológica e aumenta a credibilidade da investigação", afirmou Paulo Santos.
Jornal de Notícias, 26 de Abril de 2007
Texto de Virgínia Alves
26 abril 2007
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