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Artigo

Solução inovadora conta com INESC TEC para aumentar a precisão no diagnóstico de cancros colorretal e cervical

Ferramenta baseada em inteligência artificial vai permitir avanços consideráveis na forma como o diagnóstico anátomo-patológico de amostras histológicas é atualmente realizado. O projeto CADPath.AI conta com a participação do Centro de Telecomunicações e Multimédia (CTM) do INESC TEC, enquanto parceiro tecnológico, desde junho 2020 e terá a duração de dois anos.

12 agosto 2020

A partir de 2022, espera-se que o processo de diagnóstico seja 100% digital, graças à introdução de algoritmos que visam complementar o trabalho dos anatomopatologistas na identificação de anomalias.

Na especialidade médica de Anatomia Patológica, a doença oncológica e o seu diagnóstico são, cada vez mais, uma preocupação central. Sabendo-se que o diagnóstico atempado e rigoroso é um instrumento essencial para o combate ao cancro, os anatomopatologistas passarão a dispor de uma importante ferramenta baseada em inteligência artificial. A tecnologia está a ser desenvolvida pelo consórcio do projeto CADPath.AI – Computer Aided Diagnosis in Pathology.

Inteligência Artificial apoia observações microscópicas

A elevada complexidade que a realização do diagnóstico oncológico apresenta, recomenda muitas vezes a necessidade de se obter uma segunda opinião. É aqui que a tecnologia se torna num aliado imprescindível dos médicos, tendo-se assistido nos últimos anos à proliferação de scanners para digitalização de lâminas histológicas, um novo instrumento ao serviço da chamada patologia digital.

Além de possibilitar a realização de um diagnóstico em rede, auxiliada por outras ferramentas tecnológicas, a patologia digital vai permitir diminuir o tempo que o patologista despende na observação microscópica. “Tarefas como, por exemplo, a identificação das células tumorais, a contagem de células mitóticas, ou a identificação de crescimento invasivo, assim como a sua medição, podem agora ser realizados através da utilização da inteligência artificial”, explica Jaime Cardoso, coordenador do CTM.

Com a possibilidade de digitalização das lâminas histológicas, surgiu um grande interesse científico no desenvolvimento de algoritmos de análise de imagem, que possam complementar e tornar mais eficiente a função dos médicos patologistas, em particular no diagnóstico dos cancros colorretal e cervical.

“Continuamos focados na melhoria contínua do diagnóstico, mas pretendemos ir mais longe e disponibilizar ao mercado uma ferramenta de diagnóstico automático de patologias oncológicas; uma base de dados, contemplando as lâminas digitalizadas e respetivas anotações, histórico clínico e diagnóstico; e uma plataforma para geração de conhecimento científico”, refere Ana Monteiro, gestora de projetos no IMP Diagnostics.

O CADPath.AI, um projeto do IMP Diagnostics, numa parceria tecnológica com o INESC TEC e com a empresa Leica Biosystems, conta com um financiamento de cerca de 70% através do programa COMPETE2020 num investimento total de 1M€.

O investigador do INESC TEC mencionado na notícia tem vínculo à UP-FEUP.