Cookies
O website necessita de alguns cookies e outros recursos semelhantes para funcionar. Caso o permita, o INESC TEC irá utilizar cookies para recolher dados sobre as suas visitas, contribuindo, assim, para estatísticas agregadas que permitem melhorar o nosso serviço. Ver mais
Aceitar Rejeitar
  • Menu
Artigo

Investigadores portugueses testam sistema hiperbárico para captura e conservação de espécies marinhas de profundidade

O INESC TEC, a A. Silva Matos Metalomecânica, o ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) desenvolveram um sistema de captura e conservação de espécies até 1000 metros de profundidade, no âmbito do projeto HIPERSEA. Esta solução permite trazer as espécies à superfície sem danos provocados pelas diferenças de pressão, e mantê-las vivas para estudos posteriores. A primeira demonstração desta tecnologia decorreu entre abril e maio, a bordo do Navio de Investigação Mário Ruivo.

31 maio 2022

A solução desenvolvida vai permitir aumentar o conhecimento acerca das espécies que habitam a zona mesopelágica do Oceano, uma camada que se encontra entre os 200 e os 1000 metros de profundidade abaixo da superfície. Apesar de ser uma camada com muita biodiversidade e de conter a maior biomassa do Oceano, considera-se ainda pouco conhecida. 

“O conhecimento das espécies do mar profundo é ainda incipiente. Contudo, os primeiros programas de investigação focados nestes recursos mostraram que estes organismos marinhos poderão ter um grande potencial de utilização, pelas indústrias farmacêutica e alimentar”, avança Diana Viegas, investigadora do Centro de Robótica e Sistemas Autónomos (CRAS) do INESC TEC.  

Segundo explica Antonina dos Santos, investigadora do IPMA responsável pela campanha a bordo do Mário Ruivo, através deste projeto foi desenvolvido um sistema de recolha e manutenção, em cativeiro, que permitirá o aumento do conhecimento do ciclo de vida e da biologia de animais marinhos de profundidade. “Esta campanha destinou-se a testar a capacidade de capturar organismos vivos no solo marinho e na coluna de água a diferentes profundidades, até um máximo de 1000 metros, a sua transferência para uma câmara hiperbárica à superfície e a sua manutenção em boas condições fisiológicas”, acrescenta.  

As componentes desenvolvidas incluem uma infraestrutura móvel hiperbárica que permite a recolha de organismos vivos no mar profundo em condições de elevada pressão, baixa temperatura (ou extremamente elevada, no caso de proximidade a vulcões ativos ou fontes hidrotermais) e reduzida luminosidade, e uma infraestrutura que faz a sua transferência para uma outra câmara hiperbárica, que mimetiza à superfície o ambiente do fundo do mar nos parâmetros físicos relevantes para a manutenção da vida das espécies e funcionando como um aquário. 

“Este equipamento contêm componentes que controlam os parâmetros químicos que permitem a vida dos organismos dentro do sistema hiperbárico, assim como, por exemplo, a pressão, a temperatura, a luz, o alimento, a corrosão e a salinidade”, completa Antonina dos Santos, reforçando a importância desta solução para o estudo das espécies. 

Neste contexto, a campanha foi de maior importância para demonstrar e validar o sistema hiperbárico, as suas características e comportamento. “Foi validada a funcionalidade e a capacidade do sistema para capturar animais do fundo do mar. Esta primeira demonstração permitiu ainda obter informação acerca dos procedimentos de operação, lançamento e recolha, que vão possibilitar a otimização do sistema no futuro, o desenvolvimento de novas versões e a adaptação da tecnologia às necessidades das instituições portuguesas e à realidade nacional”, conclui Alfredo Martins, investigador do CRAS. 

O sistema foi desenvolvido no âmbito do projeto “HIPERSEA – Sistema Hiperbárico para Recolha e Manutenção de Organismos do Mar Profundo” (POCI-01-0247-FEDER-033889), financiado pelo programa COMPETE 2020 em aproximadamente três milhões de euros. 

Os investigadores mencionados na notícia têm vínculo ao INESC TEC e ao IPP-ISEP.