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Artigo

INESC TEC participa no 8.º Fórum de Energia sobre os desafios do setor

O 8.º Fórum de Energia sobre os desafios do setor decorreu nos dias 29 e 30 de setembro, pela primeira vez, em formato completamente online. 

09 outubro 2020

Com o mote “Os desafios do setor da Energia – Quem vai protagonizar a mudança: o Estado ou os privados?”, foram dois os especialistas do INESC TEC que fizeram parte do painel de oradores.

Em 2016, o atual Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, estabeleceu como objetivo uma descarbonização profunda da economia portuguesa, com foco na independência face aos combustíveis fósseis até 2050, seguindo as diretrizes estipuladas pela Comissão Europeia.

Nesse sentido, um dos painéis de debate foi sobre a Estratégia Carvão Zero. Luís Seca, Administrador Executivo do INESC TEC, foi o moderador desse debate, que contou com a presença de Francisco Ferreira, docente na FCT-UNL e presidente da Associação ambientalista Zero, João Faria Conceição, COO da REN, João Marques da Cruz, administrador da EDP e Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal. Questões como a forma como o fornecimento alternativo de energia vai ser feito, tendo em conta o encerramento das centrais de carvão, os desafios para a configuração das redes elétricas e a resolução dos problemas laborais e sociais que poderão emergir face a esta estratégia foram alguns dos temas discutidos.

Este debate abordou de forma detalhada os impactos técnicos, económicos e sociais da saída de serviço das duas centrais térmicas a carvão de Sines e Pêgo. Ficou claro que o sistema elétrico português tem capacidade para operar sem estas centrais, o que aliás já tem acontecido em largos períodos nos últimos meses, sendo, contudo, necessárias algumas alterações ao nível da infraestrutura de rede, para acomodar uma potência equivalente em fontes de conversão de energia de base renovável, nomeadamente o solar fotovoltaico (centralizado e distribuído). Foi também discutida a possibilidade destas centrais poderem funcionar como apoio à estabilidade da rede ou como suporte à adoção de outros vetores energéticos como o Hidrogénio. Não menos importante, foi salientada a necessidade de adotar medidas de capacitação para os cerca de 800 operadores destas centrais, para que se mantenham os postos de trabalho. Foi, portanto, um debate rico e que mostrou como uma simples alteração de política – o fim gradual da isenção do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP) sobre os combustíveis usados para produzir energia elétrica – levou à antecipação do fecho das duas centrais com maior peso nas emissões de carbono em Portugal.

Já João Peças Lopes, Diretor Associado do INESC TEC, apresentou o estado da arte dos estudos técnicos sobre as Concessões da Baixa Tensão. O painel sobre este tema tinha como objetivo apresentar os passos a dar na atual legislatura que, com o processo de lançamento dos novos concursos de concessão de distribuição de energia para a baixa tensão, deverá apresentar avanços.

“As redes elétricas de Baixa Tensão vão apresentar grandes desafios nos próximos 20 anos, que resultam da transição energética que está a decorrer, e que deverá ser ainda mais intensa nos próximos anos, do aumento do consumo de eletricidade, em especial no que diz respeito à climatização de edifícios, aquecimento de águas sanitárias ou no carregamento das baterias dos veículos elétricos, mas também de uma crescente utilização de produção distribuição, em particular a produção solar fotovoltaica que vai começar a aparecer cada vez mais nos telhados dos edifícios e nas coberturas das casas. Estas mudanças impõem desafios técnicos importantes que têm de ser tratados com o enquadramento vivido em Portugal com as concessões das redes de baixa tensão. Todas estas questões têm de ser lidadas de forma eficiente sem comprometer a transição energética”, explicou João Peças Lopes.

O 8.º Fórum de Energia foi, mais uma vez, organizado pela Revista Água & Ambiente.

Os investigadores do INESC TEC mencionados nesta notícia têm vínculo ao INESC TEC e à UP-FEUP.