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Artigo

INESC TEC desenvolve robô pintor que colabora com humanos

Os investigadores do Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes (CRIIS) do INESC TEC, juntamente com a empresa portuguesa TALUS, desenvolveram um robô pintor que colabora com humanos.

31 outubro 2019

 A partir de agora, em Portugal, já é possível assistir a humanos e robôs a colaborarem de forma eficaz no revestimento de produtos complexos e de grandes dimensões. Foi devido a um financiamento de cerca de 200 mil euros do programa de investigação e desenvolvimento da Comissão Europeia H2020 que estas duas entidades conseguiram desenvolver a nova célula robótica colaborativa.

Os robôs pintores já existiam, mas uma das suas principais limitações estava relacionada com a incapacidade de pintarem produtos de grandes dimensões ou de geometria complexa. A célula robótica colaborativa desenvolvida pelos investigadores no projeto europeu FLEXCoating conseguiu ultrapassar essa limitação, promovendo a cooperação entre humanos e robôs através de sensores 3D para monitorização do espaço de trabalho, reconhecimento e localização de objetos, programação de trajetórias por demonstração, entre outras tecnologias.

Com o desenvolvimento desta tecnologia, robô e operador humano pintam ao mesmo tempo o componente em questão, deixando de haver necessidade de o robô estar isolado numa célula robótica tradicional, protegido por barreiras físicas que não permitiam colaboração na pintura.

“Antes de iniciar o processo de revestimento, o operador ensina o robô, demonstrando-lhe como deve pintar. Durante o processo de pintura, um sensor de visão 3D examina, reconhece e localiza o objeto a pintar e corrige a trajetória do robô previamente ensinada. Para além disso, existe ainda um sistema que monitoriza uma série de zonas de perigo que detetam invasões ao espaço de trabalho do robô, permitindo que operador humano e robô trabalhem de forma colaborativa. Existe ainda um sistema de monitorização seguro que permite ao operador humano sinalizar o reinício do processo de forma ergonómica”, explica Rafael Arrais, investigador do CRIIS do INESC TEC.

Para desenvolver o robô, os investigadores utilizaram uma plataforma de decisão automática desenvolvida no projeto HORSE, financiado pela Comissão Europeia, que seleciona o programa apropriado de revestimento, permitindo ao operador humano monitorizar as diferentes partes do processo.

A célula robótica colaborativa desenvolvida no projeto FLEXCoating já foi testada com sucesso na empresa portuguesa FLUPOL, uma PME portuguesa especializada na aplicação funcional de revestimentos, e vai contribuir para um aumento da eficiência e da flexibilidade no processo de produção, com um aumento estimado da capacidade de produção de cerca de 15% e uma otimização de perto de 10% do tempo de trabalho dos operadores, devido à colaboração com o robô de pintura.

Os investigadores do CRIIS que participaram neste projeto foram: Rafael Arrais, Paulo Ribeiro, Carlos Costa, Luís Rocha, Manuel Silva e Germano Veiga.

O FLEXCoating foi um dos projetos experiments selecionados por uma Open Call do projeto Europeu H2020 HORSE, com o número 680734. Mais informações sobre o projeto europeu HORSE e sobre o FLEXCoating podem ser encontradas aqui.

 

Os investigadores referidos na notícia têm vínculo ao INESC TEC.