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Artigo

Diários de uma pandemia: como estão os portugueses a usar os cuidados de saúde?

Como estão os portugueses a utilizar os cuidados de saúde no contexto da pandemia de COVID-19? Algumas respostas são avançadas nos novos resultados divulgados, hoje, pelo estudo “Diários de uma pandemia”, uma investigação conduzida pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e pelo INESC TEC, em parceria com o jornal PÚBLICO.

17 abril 2020

Como estão os portugueses a utilizar os cuidados de saúde no contexto da pandemia de COVID-19? Algumas respostas são avançadas nos novos resultados divulgados, hoje, pelo estudo “Diários de uma pandemia”, uma investigação conduzida pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e pelo INESC TEC, em parceria com o jornal PÚBLICO.

Desde 23 de março até 8 de abril, foi possível perceber, por exemplo, que os cidadãos utilizaram sobretudo o médico de família à distância e a Linha SNS 24 para obterem cuidados de saúde relacionados com a COVID-19. Foram as famílias com doentes crónicos e com crianças com menos de 10 anos de idade que mais recorreram aos cuidados de saúde e foram os profissionais do setor da saúde que mais procuraram o médico de família e os hospitais públicos.

A investigação, que iniciou no dia 23 de março, está a convidar os cidadãos a responderem diariamente a um conjunto de perguntas, que visam ajudar a compreender a evolução da vida dos Portugueses, ao longo da pandemia de COVID-19.

Os resultados hoje noticiados dizem respeito ao período compreendido entre 23 de março e 8 de abril, no qual participaram 10 391 pessoas, com idades entre os 16 e os 89 anos, que responderam a 73 617 questionários.

Médico de família à distância e Linha SNS 24 são os cuidados de saúde mais usados

Para obter cuidados de saúde relacionados com a COVID-19, os participantes recorreram sobretudo ao médico de família, através de contactos à distância, e à Linha SNS 24. Os cuidados de saúde presenciais foram claramente menos usados.

Constatou-se que, durante o mês de março, 8,4% dos participantes no estudo tentaram contactar a Linha SNS 24, mas 3,6% não tiveram sucesso. No entanto, o insucesso não levou estes cidadãos a procurarem mais por cuidados de saúde presenciais: hospitais ou centros de saúde.

Verificou-se igualmente que os respondentes que não conseguiram contactar a Linha SNS 24 se deslocaram mais vezes a farmácias do que os que conseguiram fazê-lo.

Cidadãos que contactaram com casos confirmados de COVID-19 procuram mais os serviços de saúde

Os indivíduos que estiveram em contacto com cidadãos com diagnóstico confirmado de COVID-19 foram os que procuraram mais frequentemente qualquer tipo de serviço de saúde: médico de família à distância, Linha SNS 24, hospitais públicos e também, mas menos frequentemente, cuidados de saúde primários e serviços de saúde privados.

A utilização de cuidados de saúde também foi frequente entre os participantes que reportaram ter, pelo menos, um dos sintomas considerados como mais distintivos da COVID-19 pelas autoridades de saúde, nomeadamente tosse, febre e dificuldade respiratória.

De referir igualmente que os cidadãos que autopercecionaram ter um risco de infeção elevado deslocaram-se mais vezes a farmácias do que aqueles que tiveram contactos de risco e apresentaram sintomas da doença.

Famílias com doentes crónicos e crianças com menos de 10 anos procuram mais os cuidados de saúde

No período em análise, os cuidados de saúde, nomeadamente, o médico de família à distância e a Linha SNS 24, foram mais procurados por pessoas cujo agregado familiar incluía indivíduos com doença crónica (casos de hipertensão, diabetes, doença cardíaca e respiratória, cancro e terapia com medicamentos imunossupressores, etc.) e por famílias que tinham crianças com idade inferior a 10 anos.

De realçar que a procura por estes cuidados não foi determinada apenas pela presença de adultos com 60 ou mais anos de idade no agregado familiar.

Profissionais do setor da saúde recorrem mais ao médico de família e aos hospitais públicos

Foram os profissionais que trabalham na área da saúde e de apoio social que mais contactaram o médico de família à distância, seguidos dos trabalhadores do setor secundário.

Possivelmente por estarem mais expostos ao risco e por terem uma maior proximidade aos hospitais, os profissionais do setor da saúde foram os que mais recorreram aos hospitais públicos.

Homens mais jovens preferem a Linha SNS 24

Através do estudo, concluiu-se que os homens mais jovens (menos de 40 anos) e as mulheres com idade igual a 60 anos ou mais têm preferência pela Linha SNS 24. Já os homens com mais de 60 anos e as mulheres com idades entre os 40 e os 59 anos optam pelo médico de família.

De mencionar também que o recurso aos serviços de saúde privados foi feito maioritariamente por homens a partir dos 60.

De uma forma geral, os cuidados de saúde foram mais procurados por pessoas com menos rendimento e menos utilizados pelos residentes do Alentejo e do Algarve.

Continue a participar!

O estudo “Diários de uma pandemia” continua a recolher informação sobre o modo como os portugueses atuam em relação a um conjunto de situações que poderão influenciar o curso da pandemia de COVID-19 em Portugal. Todas as semanas, novos resultados são divulgados.

Para produzirmos conhecimento científico de relevo nesta área, precisamos da sua colaboração. Por isso, continue a participar, dedicando 5 a 10 minutos do seu dia a responder às questões do nosso inquérito.

Se ainda não participou no estudo “Diários de uma pandemia”, pode fazê-lo aqui.

Do INESC TEC encontra-se envolvida neste estudo uma equipa multidisciplinar, comporta pelos seguintes elementos: Artur Rocha, Coordenador do Centro de Sistemas de Informação e de Computação Gráfica (CSIG), Gonçalo Gonçalves, investigador do CSIG, Jaime Dias, responsável pelo Serviço de Administração de Sistemas (SAS), Vasco Rosa Dias, Encarregado de Proteção de Dados, e Gabriel David, Administrador Executivo do INESC TEC.

Os investigadores do INESC TEC mencionados na notícia têm vínculo ao INESC TEC.