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Artigo

Desenvolvida aplicação móvel para prevenir e tratar doença arterial periférica

O Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Centro Hospitalar Universitário do Porto, está a desenvolver, em parceria com o INESC TEC e o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), o projeto WalkingPAD, cujo objetivo é estudar e desenvolver um programa de exercício em ambulatório, para educação e corresponsabilização do doente com Doença Arterial Periférica (DAP).

17 maio 2021

O que é a DAP?

A DAP dos membros inferiores é uma doença cardiovascular comum que afeta 27 milhões de pessoas na Europa e Estados Unidos. Se não for tratada atempadamente pode, em última instância, levar à amputação dos membros inferiores. Além disso, esta doença é um fator potencial para o aumento de eventos cardiovasculares, morbilidade e mortalidade de outras doenças cardiovasculares tais como as do foro cardíaco e cerebrovasculares.

 

Embora a DAP seja crónica existem tratamentos eficazes na diminuição e controlo das limitações causadas pelos seus sintomas. Estes tratamentos envolvem o controle dos fatores de risco e de um programa de exercício físico (caminhada) regular. Se cumprido, diminui significativamente o número de doentes a necessitar de tratamento cirúrgico, com os custos pessoais, socioeconómicos, de hospitalização com a morbilidade e mortalidade associados.

A tecnologia Walking PAD

A nova tecnologia WalkingPAD, acessível através de uma aplicação móvel, complementada com uma plataforma web, integra tecnologias móveis e sistemas de localização geográfica, permitindo criar e supervisionar um plano de exercício individualizado para cada doente, em todo semelhante aos programas de reabilitação hospitalares.

"É necessário melhorar a aposta na prevenção da progressão da doença arterial periférica investindo em programas de reabilitação. A grande vantagem do WalkingPAD face a outros programas é a de ser um programa participativo de exercícios atrativos por serem feitos num ambiente familiar, personalizados, eficazes, de baixo custo e risco, superior ao realizado a nível hospitalar”, refere Ivone Silva, Cirurgiã Vascular no CHUP, professora associada convidada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e investigadora da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB).

O projeto pretende aumentar a adesão dos doentes ao exercício físico, assim como a distância média percorrida sem dor, resultante da isquemia muscular, e o bem-estar geral, físico e psicológico. Neste sentido, o projeto promove uma medicina personalizada realizada na comunidade, através da educação e motivação do doente, com supervisão remota, e é feito no ambiente familiar do doente, o que o torna mais atrativo.

Projeto utiliza algoritmos de inteligência artificial

“O WalkingPAD prioriza tecnologias avançadas, nomeadamente biométricas, permitindo desta forma um avanço em termos de precisão, custo, facilidade de utilização/adesão, a garantia de privacidade, diagnóstico e tratamento via monitorização inteligente, e conhecimento do estado de saúde/doença. A utilização de algoritmos de inteligência artificial para a descoberta de padrões no caminhar na DAP confere ao WalkingPAD a capacidade de recomendar paragens aos doentes quando a dor claudicante se intensifica, evitando situações extremas”, refere Hugo Paredes, investigador do Centro de Sistemas de Informação e de Computação Gráfica (CSIG) do INESC TEC e professor na UTAD.

Catarina Abrantes, investigadora do CIDESD e professora na UTAD destaca que “as novas tecnologias de captura e processamento de dados contínuos possibilitam a monitorização personalizada da dose da caminhada em cada sessão de exercício e em cada semana”.

Esta nova estratégia terapêutica centrada, que irá abranger 120 doentes do Centro Hospitalar Universitário do Porto, tem potencial de replicabilidade, implementação e aplicabilidade em todos os doentes com patologia cardiovascular, para além da doença arterial periférica. A tecnologia WalkingPAD contribui para que o exercício passe a ser prescrito como uma ferramenta fundamental, não só na intervenção, mas também na prevenção da doença física e/ou mental.

O WalkingPAD é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e cofinanciado pelo Norte2020.

O investigador do INESC TEC mencionado na notícia tem vínculo à UTAD.